
certas coisas me confirmam verdades infinitas que eu sempre, sempre carreguei dentro de mim. dias que passam que falam comigo de tal forma que... fica difícil de entender. eu estou assim, quieta, confusa, calada, assustada, perplexa. como é difícil admitir tanto adjetivo em um só momento, e no entanto, no fim de tudo, tudo ainda é tão distante que fica difícil de descobrir o que tudo quer dizer. afinal, preciso eu descobrir o significado de qualquer coisa? a resposta é não. a resposta é, a frustração é algo extremamente inerente ao ser humano, ser humano é ser frustrante, tudo é uma grande engenhoca pra nos deixar perplexos diante da vida e ponto final e se a vida é um mergulho numa água escura, funda e fria, o que é o medo? é o que te prende a uma terra "segura"? não sei bem do que se trata isso do que estou a dizer mas sei que talvez não saber seja a única forma para minha pessoa de estar em contato com aquilo que é mais humano em mim porque estou - confesso - cansada de estar longe de mim, de me prestar a estar longe sem vontade profunda ou até mesmo tangível. sei o que quero, sei o que tenho, sei o que terei mas... sinto falta de mergulhar na minha água, uma água que eu como autora da minha própria peça possa confeccionar da maneira que for mais próxima do meu desejo. ah! a água... esse elemento que por excelência é minha essência, sua, de todos nós. o que é isso que nós chamamos de entender afinal? porque inventamos tal mecanismo que deforma nossos atos e restringe nossa aptidão? estou cansada de perguntas, perguntas não respondem respostas vagas e generalizadas. perguntas são o que são, uma indagação num espaço absolutamente preenchido de outras indagações, porque convenhamos, existem muito mais perguntas sem respostas e respostas sem perguntas do que estrelas no céu, grãos de areia na praia, flocos de neve no alaska.
parei tudo e fui ouvir tom waits.
quando a gente ouve tom waits algo mágico e triste, terrivelmente depressivo toma conta, mas é tão confortante... é confortante saber de alguém tão extraordinariamente parecido com você e ao mesmo tempo tão disposto a provar o contrário porque afinal o mundo está de cabeça para baixo, meus bolsos estavam cheios de ouro... segundo ele.
também parei para assistir tom waits, no youtube. assisti romeo is bleeding, waltzing matilda, i wish i was in new orleans.
o desespero às vezes é tão grande, tão pesado que chega a ser vazio, chega a ser o grande vazio de uma noite sem fim, fria, ferozmente ausente. vira cansaço, vira verdade e no fim vira nada, quando ao aniquilar o vazio nós aprendemos a enche-lo de dor, chegamos ao código perdido que nos leva a abrir aquela porta secreta, aquela que esconde a realidade de uma alma remota, mal feita, incompleta mas insistente - a alma fria humana. infantil. prima donnas de um mundo em chamas, à la mode. sei bem porque sou parte desse grupo, estranhamente sou mãe de muitos, filha de tantos, irmã gêmea dos piores, espelho de todo o mal e o bem e tudo o que está entre os dois polos.
e depois disso tudo vou embora.
a cabeça pesa.
"Well, go ahead and call the cops, you don't meet nice girls in coffee shops..." Tom Waits.


1 comentários:
Bravo, Alice, but I can't read this! GS
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