Intencionalmente nós recriamos situações em nossa vida, queremos recolocar novas caras aos bem conhecidos caminhos. Mas ter a coragem e a força de levantar e não só dizer mas agir e saber que "dessa vez tudo será diferente" é o mais difícil. Não quero colocar aqui dicas para te dar um "empurrãozinho" ou te dar aquela sensação de que é tudo rosa e que no fim as coisas vão dar certo, porque essa não é a minha experiência real. Não quero tão pouco, extrair de minha vaidade momentos de êxtase e de conquistas, porque também não vejo nada em minha vida como uma grande conquista, mesmo tendo pessoas ao meu redor que ficam maravilhadas com alguns acontecimentos que marcaram minha existência. Acho que o ser-humano mediano está fadado a falta de vergonha na cara. Digo ser-humano mediano com uma certa culpa pois me coloco nesse emaranhado populoso. Credo! Como tem gente que não sai do lugar, não dá uma guinada, não sonha!
Bom então vamos dividir esse povo! O emaranhado mediano se divide agora e é criado um subconjunto de meio-medianos: aqueles que sonham. Então posso dizer que sou uma dessas. Sonho. E entre esses, alguns passam para a próxima rodada, se jogam no grupo daqueles que conseguem. No grupo dos que brilham. Não pense que estou querendo fazer com que algumas pessoas se sintam más ou incapazes de se realizarem, não é isso! Estou dizendo que existem pessoas para todos os gostos, formatos, tamanhos e ações.
Voltando ao assunto, estou muito pensativa esses dias, procurando razões para andar. Procurando movimentos alheios à minha vontade para poder passar para o próximo grau, o próximo passo dourado. Sinto que esbarramos com pessoas ou fatores que querem sempre nos derrubar mas repito para mim mesma que tudo isso é besteira, afinal fomos criados com corpos e mentes para chegarmos à qualquer lugar que queremos.
Afinal, imagine se o primeiro macaco-homem não tivesse frio e vontade de criar um foguinho para se esquentar? Imagine o que aconteceria se os homens não quisessem descobrir terras mais propícias para o plantio, para se assentarem e construírem vilas e casas com mais conforto e mais possibilidades de criarem seus filhos? Afinal, o que seria do der-humano se não houvessem vontades e sonhos?
Também sei que o sonho pode matar. O sonho de um homem por poder e brilho matou milhões de judeus, negros, ciganos e índios...
Mas o sonho também pode curar. A vontade de um homem de ver seu povo novamente tratado com dignidade acabou com a escravidão, pelo menos legalmente...
Os sonhos e as pessoas que sonham tem o poder da consciência, mais do que qualquer mortal. Conseguem desenhar no éter as nuances de suas vitórias emocionadas e racionais e então podem buscar na terra e com suas próprias mãos as ferramentas necessárias para chegar ao seu objetivo. O que fará desse sonho algo bom ou ruim é medido não pela sociedade, mas sim pelo que há de mais puro e comum onde há um grupo humano: amor. O amor é o melhor termômetro.
Cada vez que entro nesse assunto me atrapalho. Não sei explicar de fato o que vem a ser o amor. Só sinto. E parece uma loucura, mas ele está lá quando há bondade e não está (ou está timidamente) quando há a maldade.
E alguém vem me dizer "certo e errado são relativos"... sim, eu sei!
Mas bom e ruim não são.
O que faz bem e mal é real, tangível, óbvio.
E então passo mais uma vez ao meu momento pensativo. O instante em que sei que algo está apra acontecer mas que só poderá liberar o fogo se eu der a esse sonho alguma ferramenta, um fósforo, dois pauzinhos ou até duas pedras!
Pense nisso!

